. Médico do Hospital São Camilo participará de corrida no deserto do Saara
Percorrer a pé 250 km em sete dias o maior deserto do planeta, em meio a temperaturas que oscilam entre 50°C durante o dia e 0°C à noite. Eis o desafio que aguarda o Dr. Tiago Acauan Dal Molin, gestor do Pronto-Socorro do Hospital São Camilo Ipiranga, a partir do dia 3 de outubro.
O médico do São Camilo é o único brasileiro inscrito na “Sahara Race”, etapa da “4 Deserts”, a maior maratona de resistência do mundo, promovida pela “Racing the Planet”. Também conhecida como “A Longa Marcha”, a “4 Deserts” é uma corrida de aventura que percorre as quatro maiores e mais perigosas regiões desérticas da Terra: o deserto de Gobi na China, Atacama no Chile, Saara no Egito, e a etapa final no gelo polar da Antártida, os locais mais áridos, secos, quentes e frios do planeta.
Além da caminhada exaustiva, durante a competição, cada competidor tem que carregar os seus próprios equipamentos e alimentos. Para encarar um desafio de tamanha proporção, o médico vem se preparando já há algum tempo com o apoio de uma assessoria esportiva e uma nutricionista. “Minha preparação tem sido correr quatro vezes por semana e caminhar outras quatro. Tenho feito cerca de 80 km por semana, somando as duas modalidades”, conta.
Embora seja estreante nesta maratona, a experiência acumulada por Dr. Tiago em outros eventos similares também deve ajudar. Além da paixão pela medicina, o médico revela ter um verdadeiro espírito de aventura. “Corro há alguns anos, mas corridas menores, de 10 a 20 km. Minha maior aventura foi subir o Monte Kilimanjaro, na divisa entre Tanzânia e Quênia, a quase 6.000 metros de altura. E já fiz uma caminhada bem longa, atravessando o norte da Espanha, o famoso ‘Caminho de Santiago de Compostela’. Claro que em circunstâncias totalmente diferentes, mas foram 883 km a pé, em 32 dias”, relembra.
A maratona, por outro lado, não é apenas sinônimo de sofrimento e superação. Durante a Corrida do Saara, os participantes atravessarão o Vale das Baleias, local que abriga fósseis de baleias de 40 milhões de anos, um verdadeiro museu a céu aberto protegido pela UNESCO. A linha final de chegada da competição será cruzada em meio às pirâmides de Gizé. A paisagem mágica do local é por si só um prêmio e estímulo ao sofrimento e à prova de superação aos quais são submetidos todos os competidores.
Para Dr. Tiago, entretanto, participar desta corrida envolve propósitos maiores. “Morei um ano em Moçambique e um ano na Índia, onde atuei como voluntário para a ONG ‘Médicos Sem Fronteiras’. Esta corrida me permitirá retornar à África, de onde tenho muitas saudades. Também aproveitarei para fazer uma campanha para arrecadar fundos para esta organização”, diz.
O médico sabe que a prova não será fácil, mas tem certeza que o resultado valerá o sacrifício. “Será um imenso desafio. Desde o treinamento até a chegada. Superar as bolhas, as dores, o cansaço, o calor. Mas estar sozinho, no meio do deserto, conquistando cada centímetro de dunas será simplesmente maravilhoso”, afirma.