Fórum Mundial sobre Infecções Hospitalares convoca Mobilização Contra Resistência aos Antibióticos
Mais de 70 especialistas internacionais em medicina, doenças infecciosas, microbiologia e epidemiologia, vindos de todos os continentes, reuniram-se em junho último no Centro de Conferências da Fundação Mérieux para o 3º Fórum Mundial sobre Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde. Os especialistas convocam as autoridades nacionais e internacionais, a comunidade médica, os veterinários, os responsáveis pela indústria e a toda a população para uma mobilização mundial a fim de evitar uma catástrofe sanitária, em virtude do aparecimento e da propagação de bactérias resistentes a todos os antibióticos conhecidos.
Em um contexto no qual o processo de desenvolvimento de novos antibióticos vem mostrando progressos limitados, a resistência das bactérias aumentou em virtude do uso indiscriminado de antibióticos, não apenas na saúde humana, mas também na saúde animal. O tratamento de certas infecções corriqueiras está cada vez mais difícil. O sucesso das terapias imunossupressoras e das intervenções cirúrgicas (transplantes de órgãos, cirurgias cardíacas), que estão associados a um alto risco de infecção bacteriana, pode ser comprometido.
Para os experts do Fórum, o aparecimento de bactérias NDM-1 pan-resistentes e a epidemia de infecções pela E. coli multiresistente que afeta atualmente a Europa, devem ser considerados como alertas sanitários importantes, indicando que uma nova era na resistência aos antibióticos acaba de surgir – necessitando de uma conscientização em escala mundial. Salvaguardar a eficiência dos antibióticos entra agora no âmbito do desenvolvimento sustentável.
Inserindo-se na continuidade das convocações e propostas que emanam dos grandes órgãos nacionais e internacionais (OMS, ECDC, IDSA, CDC, etc.), os participantes do Fórum identificaram setores prioritários para lutar contra a propagação das bactérias resistentes e propõem de imediato 12 recomendações concretas a serem implantadas a curto e médio prazo a fim de que todos juntos possam lutar, eficazmente, contra esta problemática.
Ações prioritárias a serem tomadas pelas autoridades de saúde
- Apenas administrar aos animais os antibióticos não utilizados na medicina humana, e exclusivamente para ações terapêuticas. É essencial reservar à medicina humana as classes mais importantes de antibióticos.
- Banir, em todos os países, a utilização de antibióticos na alimentação dos animais para acelerar seu crescimento.
- Regulamentar a venda dos antibióticos destinados à medicina humana e proibir sua venda sem receita médica em todos os países do mundo.
- Propor aos órgãos internacionais (OMS, União Européia) um manual sobre o uso adequado dos antibióticos, a ser ratificado pelos ministérios da saúde de todos os países que se comprometerão a fazer com que ele seja respeitado.
Ações prioritárias em relação a responsáveis pela saúde humana e veterinários.
- Implantar, em todos os países, uma vigilância padrão referente à resistência e à utilização de antibióticos e acompanhar o aparecimento e a propagação de novas resistências bacterianas.
- Incluir, nos cursos de medicina e veterinária, uma sólida formação sobre a resistência bacteriana e a utilização racional dos antibióticos e implantar programas de formação contínua para os profissionais de saúde, levando em conta as especificidades culturais de cada país.
Ações prioritárias em relação à população
- Desenvolver campanhas de informação destinadas ao grande público, adaptadas às particularidades locais, mostrando a necessidade de proteger os antibióticos e, conseqüentemente, limitar seu uso apenas às indicações necessárias.
- Ensinar as medidas de higiene fundamentais, tais como lavar as mãos, para prevenir as infecções. O reforço dos equipamentos sanitários que permitam, sobretudo eliminar as bactérias resistentes presentes nos esgotos parece indispensável.
- Associar os representantes dos consumidores na elaboração e na implantação de programas de ação.
Ações prioritárias em relação à indústria
- Desenvolver testes de diagnóstico rápido, utilizáveis nos leitos ou consultórios, a fim de guiar a prescrição dos antibióticos e evitar seu uso quando a infecção for viral.
- Estimular a pesquisa e o desenvolvimento de novos antibióticos.
- Desenvolver novos modelos econômicos que conciliem os interesses da saúde pública e as exigências de rentabilidade da indústria.
Realizado de 27 a 29 de junho, o 3º Fórum mundial sobre Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde destacou-se pela excepcional diversidade geográfica de seus participantes: 33 países estavam representados por ocasião da edição de 2011.
Enquanto a maioria dos eventos concentra-se nos desenvolvimentos científicos passados, o Fórum Mundial sobre Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde que ocorre a cada dois anos, permite que os experts troquem informações sobre temas pouco abordados nos congressos clássicos. Grande parte do tempo é dedicada ao compartilhamento de experiências sobre os sucessos e fracassos em matéria de luta contra bactérias multiresistentes, o que possibilita criar novos programas de ações.
Líder mundial em microbiologia e pioneira na área de testes de detecção da resistência e antibiograma, a bioMérieux atua em parceria com os profissionais de saúde em três vertentes do controle das infecções Relacionadas à Assistência à Saúde e da resistência aos antibióticos: prevenção, vigilância e intervenção. O papel e a contribuição dos testes diagnósticos são fundamentais para o sucesso da luta contra estas infecções.
No âmbito de seu comprometimento na luta contra as infecções bacterianas, a bioMérieux organiza encontros no mundo todo. Nos últimos três anos, ocorreram reuniões em cerca de dez países diferentes (Estados Unidos, Bélgica, Países Baixos, Portugal, Espanha, China, Japão, Coréia, Colômbia, Arábia Saudita) com a finalidade de facilitar o intercâmbio científico e o desenvolvimento de uma rede mundial de experts.
Para ouvir os especialistas presentes no 3º Fórum:
www.hai-forum.com
Para maiores informações:
www.bioMerieux.com/hai-resistance