. Endocrinologia e Metabologia tem Congressos Brasileiro e Paulista
No primeiro dia do CBAEM/COPEM 2011 dois especialistas deram destaque para o tema metabolismo ósseo. O curso pré-congresso “Densitometria Óssea para Endocrinologistas”, apresentado pelo Dr.Luiz Cláudio de Castro chamou a atenção dos congressistas. A Drª.Chyntia Brandão falou sobre as armadilhas que podem aparecer na leitura clínica de exames de massa óssea.
Outro destaque do congresso às 14h será uma palestra com Roland Baron, professor da Harvard Medical School. O especialista vai apresentar uma pesquisa que mostra a diferença entre os osteoclastos e os mecanismos de reabsorção óssea, além de descrever o tratamento da osteoporose, remodelação óssea e falar um pouco sobre as principais drogas anti-reabsorção, mecanismos de ação, efeitos sobre a reabsorção e os benefícios clínicos do ponto de vista da remodelação óssea. “O objetivo da palestra é entender a doença e mostrar que vários estudos estão sendo feitos para que no futuro tenha um tratamento mais eficaz da osteoporose”, conta Roland Baron.
Promovidos em um único evento pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), os congressos devem reunir cerca de 2.500 participantes, entre estudantes, recém-formados, residentes, pós-graduandos, médicos e paramédicos em geral, não somente na área da endocrinologia e metabologia, mas também de várias outras especialidades.
O encontro começou nesta quarta, dia 24, e segue até o dia 27 de agosto, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.
Destaques internacionais
Além de renomados médicos brasileiros, a programação científica conta com as novidades internacionais de nomes como: Roberto Salvatori, da John Hopkins University, Roland E.Baron, Professor da Harvard Medical School, David Cooper, da Johns Hopkins University School of Medicine, EUA e Wiebke Arlt, da University of Birmingham, Steven Shoelson, da JoslinClinics.
Neuroendocrinologia, Doenças da Adrenal e das Gônadas, Endocrinologia Pediátrica, Tireoide, Metabolismo Ósseo, Diabetes Mellitus e Obesidade serão temas abordados durante o evento.
Principais novidades apresentadas
O encontro apresenta novidades nas áreas da Neuroendocrinologia, Doenças da Adrenal e das Gônadas, Endocrinologia Pediátrica, Tireoide, Metabolismo Ósseo, Diabetes Mellitus e Obesidade.
Destaques na programação científica:
Doenças osteometabólicas – O especialista Francisco Bandeira, Professor adjunto de Endocrinologia e Epidemiologia Clínica e Chefe da Divisão de Endocrinologia e Diabetes do Hospital Agamenom Magalhães, de Pernambuco, fala sobre as novidades no tratamento da osteoporose.
Ele afirma que Recife tem a maior prevalência da doença de Paget, atingindo 0,7 % população com idade acima de 45 anos. Em relação aos outros problemas metabólicos ósseos, São Paulo e Recife são as cidades que apresentam mais dados estatísticos no Brasil.
Hipotireoidismo – O médico Antonio Carlos Bianco, que vive no exterior e há três anos atua como professor de medicina e Chefe da Divisão de Endocrinologia da Faculdade de Miami (EUA), apresenta pesquisa que aproxima a relação causal entre a obesidade e o hipotireoidismo.
Uma pesquisa feita com camundongos levanta mais uma hipótese de que o hipotireoidismo está associado à obesidade. O especialista constatou uma variável que pode interferir no ganho de peso dos pacientes com hipotireoidismo. Ao submeter os animais com hipotireoidismo à ingestão de alimentos gordurosos em um ambiente com temperatura de 30º Celsius, o médico observou o ganho considerável de peso. Contudo, ao serem colocados em um ambiente frio, os roedores emagreceram, em consequência do gasto de energia.
Endocrinologia Pediátrica – O especialista Durval Damiani, professor livre-docente, chefe da Unidade de Endocrinologia Pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, fala sobre os distúrbios do crescimento e sobre hiperplasia congênita de suprarrenal.
De acordo com o médico, várias são as causas que podem comprometer o crescimento, desde distúrbios alimentares (má absorção, por exemplo), passando por doenças crônicas (rins, fígado, coração, pulmões), problemas que comprometem os ossos (que passam a não responder pelos estímulos hormonais para crescer). Os distúrbios hormonais, particularmente relacionados ao hormônio de crescimento costumam ser diagnosticados por volta dos 3-6 anos de idade, quando a criança visivelmente está abaixo de seus colegas de escola, em termos de altura. Lembrar sempre que a altura tem um forte componente genético e este não pode ser modificado por qualquer tratamento.
Já a hiperplasia congênita de suprarrenais é um defeito na síntese de um hormônio muito importante produzido por esta glândula (cortisol) e, como ele não consegue ser produzido, acumulam-se hormônios inadequados para a criança na sua idade. São hormônios que induzem a uma virilização, ou seja a menina se torna virilizada, às vezes havendo dificuldade, ao nascimento, de se atribuir um sexo de criação para ela.
Neuroendocrinologia – O médico Cesar Luiz Boguszewski, professor adjunto de Endocrinologia, do Departamento de Clínica Médica, da Universidade Federal de Curitiba, Paraná, fala sobre as novidades no diagnóstico e tratamento dos diferentes tipos de tumores hipofisários.
De acordo com o especialista, os debates são sobre os critérios diagnósticos e o tipo de dosagens hormonais que devem ser usadas e os valores que devem ser considerados como de doença em atividade. Há também avanços na área de neuroimagem e neuropatologia.
Quanto ao tratamento, segundo o médico há perspectiva de novos medicamentos para os tumores hipofisários, incluindo acromegalia, prolactinomas, Cushing e não funcionantes; avanços em técnicas cirúrgicas e radioterápicas.
Desreguladores endócrinos, o que todos devemos saber – A médica Elaine Frade Costa fala sobre os efeitos do bisfenol A, composto utilizado na fabricação de policarbonato, um tipo de resina usada na produção da maioria dos plásticos. O BPA também está presente na resina epóxi, utilizada na fabricação de revestimento de latas para evitar a ferrugem e prevenir a contaminação externa. Segundo os pesquisadores, o componente tem similaridade com o hormônio feminino e o da tireoide. Estudos sugerem que, ao entrar em contato com o organismo humano, principalmente durante a vida intrauterina, a substância pode romper o sistema endócrino, por interação com os receptores desses hormônios, trazendo danos irreversíveis à saúde da população. Quando aquecido ou congelado apresenta uma contaminação ainda maior.